Diante da atual estrutura da sociedade, onde padrões normativos foram/são criados e exigidos dos indivíduos, nos diferentes campos de suas vidas, várias são as implicações para aquelas/es que não se enquadram nesse modelo repressivo e opressor. Escondem, tentam, ou mesmo não escondem suas diferenças e por isso são estigmatizadas/os como anormais, sofrendo veladas ou explícitas violências, físicas ou psíquicas.
Não temos a pretensão de nos separar da constituição social, utilizando-nos de qualquer discurso de neutralidade, superioridade ou inferioridade. Temos ciência de nossa imbricação nesse contexto, e é exatamente por isso que sabemos que é possível mudar.
A idéia não é a de defender qualquer categoria que se queira sexual. Não é uma questão de delimitar o que seja hetero ou homoafetivo, em suas várias vertentes. Pelo contrário, a proposta é a defesa da alteridade, da pluralidade inerentes à sociedade (independente do constante esquadrinhamento exercido pelas tantas instituições que a compõem). Que possamos ser GLBTTHX... livremente!
Somos avessos/as à apatia, à indiferença, à criação dessa massa alienada de si mesma instituída pela contemporaneidade. Ao mesmo tempo em que estamos mais para a linguagem do des-avesso, pois não buscamos uma alternativa, nem ser o contrário, ou afirmar uma “minoria”. Buscamos agir eticamente na mudança da sociedade, para que possamos vivenciar livremente a diversidade sexual.
HISTÓRICO
A Diversidade Sexual está presente na história desde os tempo mais remotos. Em cada sociedade, o papel da mulher, do homem e as relações sexuais são reconhecidos e reproduzidos a partir de uma construção social. Em certos momentos houve maior abertura sexual, como na Grécia Antiga, em outros estabeleceu-se um padrão (discriminando os demais), como na Europa Medieval.
Atualmente, a nossa sociedade, burguesa e capitalista, por natureza é contraditória em diversos aspectos – econômico, étnico, religioso, etc. Essas contradições também se manifestam em relação à Diversidade Sexual. Ao mesmo tempo que declara que “todas as pessoas nascem livres e iguais em direitos” ou que “todos são iguais perante a lei” busca impor um modelo sexual através da heteronormatividade: a revolução acabou com os privilégios de nascimento, substituiu pelo privilégio econômico e mantém a discriminação sexual. A liberdade de todos na verdade representa a liberdade e a moral burguesas.
Neste contexto não é de se estranhar que lamentavelmente, segundo a OMS, o maior índice de suicídios ocorra entre mulheres e homens homossexuais e que a discriminação sexual atravessa diversas esferas de nossa sociedade, a exemplo do esporte, arte, educação, etc. Então, o desafio não é só o reconhecimento da Diversidade Sexual, nem a aceitação por parte da sociedade. O desafio é afirmar a importância da Diversidade Sexual para a construção de uma sociedade que supere as desigualdades sociais e abra espaço para a igualdade de direitos, não só na lei, mas principalmente na prática.
É a partir desse desafio e reforçando a luta do movimento gay pelo o respeito às lébiscas, travestis, transsexuais, bissexuais e aos gays como seres humanos dotados de cidadania plena, que formou-se o Coletivo Avesso em Sergipe.
Na nossa primeira tentativa de organização formou-se o Cudis (Coletivo Universitário de Diversidade Sexual) com apoio do Cacam (Centro Acadêmico Caio Amado / Ciência Sociais UFS) em 2008. Infelizmente o grupo se dispersou. Em 2009, manifestações homofóbicas na UFS ao mesmo tempo que se organizava a delegação de Sergipe para o ENUDS 2009 e surgia a proposta da “Semana da Diversidade Sexual” do Coletivo Estudantil “Geo na Luta” novamente nos organizamos na prespectiva de avançar as dicussões e trazermos para a UFS e para a sociedade sergipana o debate sobre a Diversidade Sexual.
Somos pessoas com história de luta em comum: crescemos não entendendo e desafiando as contradições da sociedade, lutamos agora para que outras pessoas (e nós mesmas/os!) não sejam discriminadas, desejamos que a diversidade sexual signifique amor e não preconceito. E mais que isso, lutamos porque acreditamos na transformação social. Sabemos que ela não virá sem luta e que juntas e juntos somos mais fortes. E é por isso que enquanto nossa sociedade afirmar o que é normal, nós estaremos na luta gritando AVESSO.
COLETIVO AVESSO: organização independente a autônoma que discute e propõem questões sobre a diversidade sexual combatendo opressões e valorizando o respeito às diferenças. Afinal, somos todas e todos iguais por sermos todas e todos diferentes.
CARTA DE PRINCÍPIOS
Nós do Coletivo Avesso defendemos:
Criminalização da Homfobia.
Efetivação dos direitos existentes
Desnaturalização da sexualidade
Nós do Coletivo Avesso repudiamos:
As opressões abertas, anônimas e/ou silenciosas.
A omissão e/ou generalização da sociedade e da universidade acerca da diversidade sexual.
A invisibilidade sofrida cotidianamente pelos homossexuais, lésbicas e bissexuais.
AGENDA PROPOSITIVA
Conseguir o ônibus da UFS para o ENUDS 2010.
Realização da I Semana Diversidade Sexual
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